Ativos russos – União Europeia agrava as suas responsabilidades

(João Gomes, in Facebook, 13/12/2025)


A União Europeia decidiu, com ar solene e vocabulário cuidadosamente escolhido, imobilizar indefinidamente os ativos soberanos russos. Não os confisca, porque isso daria trabalho jurídico. Não os devolve, porque isso pareceria fraqueza política. Guarda-os. Indefinidamente. Como quem deixa uma mala no meio da sala e diz que é provisório, mas muda a fechadura da casa.

A jogada é apresentada como firmeza estratégica. Na realidade, é a institucionalização da indecisão. A UE transforma um congelamento excecional, justificado por um contexto de guerra, numa suspensão permanente das regras que sempre disse defender. E fá-lo com a confiança típica de quem acredita que o futuro tratará dos detalhes incómodos, como o direito internacional, a imunidade soberana ou as custas judiciais.

O raciocínio oficial é simples: os ativos só serão libertados quando Moscovo pagar reparações à Ucrânia. O problema é que ninguém explicou à União Europeia que, no direito internacional, reparações não se decretam por comunicado de imprensa nem por consenso político interno. Exigem decisões judiciais, tratados ou resoluções internacionais vinculativas. Mas isso são minudências técnicas, claramente incompatíveis com a urgência moral do momento.

Assim, a UE inventa uma nova categoria jurídica: o ativo soberano em estado de espera moral. Não é confiscado, porque isso seria ilegal. Não é devolvido, porque isso seria inconveniente. Fica suspenso num limbo elegante, onde a legalidade é substituída por intenção política e a previsibilidade por esperança.

O mais interessante é o efeito colateral desta virtude autoproclamada. Ao reter indefinidamente ativos de um Estado soberano, a UE envia uma mensagem cristalina ao resto do mundo: o dinheiro é bem-vindo na banca europeia, desde que o depositante pense corretamente. A neutralidade financeira, outrora pilar do sistema, passa a ser condicional. Um detalhe que bancos centrais de países não alinhados certamente apreciarão… à distância.

Não admira, por isso, que o ouro esteja a regressar a cofres nacionais, que as reservas em euros comecem a parecer menos seguras e que sistemas financeiros alternativos ganhem tração. A UE, preocupada em punir a Rússia, acaba a educar o mundo sobre os riscos de confiar demasiado nela. Uma pedagogia involuntária, mas eficaz.

Entretanto, Moscovo observa. Não precisa de agir com pressa. O tempo, neste caso, é um aliado. Pode recorrer a tribunais, arrastar processos, acumular juros e, quando o clima político mudar, apresentar a fatura. Pode também reter ativos ocidentais no seu território e chamar-lhe compensação. Tudo com base num argumento simples: se a lei foi suspensa para um, pode ser reinterpretada para outro.

A ironia maior é que a UE não ganha verdadeiramente nenhuma vantagem estratégica com esta decisão. Não aproxima a paz, não acelera reparações, não resolve o conflito. Limita-se a adiar o momento em que terá de escolher entre devolver os ativos ou assumir um confisco formal com todas as consequências que isso implica. Até lá, acumula responsabilidades jurídicas, financeiras e reputacionais.

A União Europeia, que gosta de se apresentar como potência normativa, construiu a sua influência precisamente sobre a previsibilidade das regras e o respeito pelo direito. Ao abdicar disso em nome de uma firmeza performativa, fragiliza o que a distingue. Troca autoridade jurídica por satisfação política momentânea.

No fim, os ativos russos continuam congelados, a guerra continua, e a UE continua sentada sobre um problema que cresce em silêncio. Não é uma demonstração de força. É a arte de complicar o futuro enquanto se finge resolver o presente.


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14 pensamentos sobre “Ativos russos – União Europeia agrava as suas responsabilidades

  1. A tal ofensiva em que conseguiram alguma coisa de jeito foi em Setembro de 2022.
    Lembro me das galinhas loucas num serviço onde trabalhava na altura até darem saltos de contentamento.
    Os russos só parariam “em casa”, iam todos bêbados para a frente e estavam a cair como tordos, e o Putin seria morto. Assim de simples.
    No início do Verão de 2023 foi a vez da grande contra ofensiva em que todos os comentadeiros garantido “desta vez e que e”. Que a única coisa que conseguiu foi mandar para a República dos pés juntos muitos mercenários de países pobres a quem foi prometida cidadania no Reino Unido ou Estados Unidos juntamente com um bom pé de meia para começar a vida. E que perderam a vida.
    Não que eu tenha pena de gente que acha que pode tirar o pé da lama participando numa expedição de pilhagem.
    Mas é para vermos até que ponto chega a crueldade e o desprezo pela vida humana desta gente.
    A partir daí tem sido sempre a perder mas ainda temos a CNN a garantir que a defesa aerea russa tem muitas vulnerabilidades, por isso nem tudo está perdido.
    Se a da Rússia tem vulnerabilidades o que se dirá da da Ucrânia que está as escuras e perde todos os dias o território que Herr Zelensky garante que não vai ceder.
    E nos a pagar isto tudo.
    Com consequencias que passam por gente a morrer na ambulância porque não há hospitais em condições de os receber porque a urgência está fechada.
    Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.

  2. Certinho. O bandalho sempre soube ao que ia desde que se fez eleger, com muitos votos dessas repúblicas, prometendo que lhes traria a paz.
    Para um ano depois apoiar a infame lei dos povos autóctones que reconhecia apenas os falantes de ucraniano da Ucrania Ocidental e os judeus da sua seita, uns tais de caritas como legítimos cidadãos da Ucrânia.
    Proibindo o russo em meios de comunicação, escolas e documentos oficiais, em resumo em todo o lado.
    O destino da populacao seria a expulsão para a Rússia ou a morte.
    Como dizia um idoso, “e os impostos que paguei uns vida inteira na Ucrânia, vao comigo?”.
    Muitos chefes militares ucranianos disseram com as letras todas que a morte ou a expulsão seriam o destino daquela gente toda.
    Um assassino disse com as letras todas, já depois da “invasão ilegítima e ilegal” começar, que iriam reconquistar a Crimeia e era preciso matar toda a aquela gente, mais de dois milhões de pessoas, por estarem impregnados de propaganda russa e serem irrecuperáveis.
    Herr Zelensky garantia que no Verão de 2024 estaria a pescar a linha na Crimeia. Foi durante a única ofensiva em que a Ucrânia conseguiu alguma coisa de jeito, em Setembro de 2023.
    E aí muita gente foi morta e depois “encontrada” em valas comuns atribuídas aos russos por aquela cambada de nazis.
    Ate professores foram assassinados apenas por dar aulas de acordo com o programa russo.
    Mais de 30 mil pessoas foram evacuadas durante a retirada russa, quem não foi morreu. Assim de simples.
    Isso aconteceria em todo o lado.
    Mas ainda houve quem nos quisesse convencer que aqueles cadáveres “fresquinhos” tinham sido mortos meses antes.
    Tao como em Abril se tinha feito em Bucha.
    O problema é que esta pategada acredita em tudo.
    Agora Mark “eutanásia” Rutte garante que a seguir a Ucrânia somos nós.
    Não meu bandalho, a Rússia não precisa disto para nada. Nos e que precisamos e muito dos recursos que lá há.
    Por isso o filme e ao contrário. Os nazis não se ficariam pelo Dombass.
    Entrariam na Rússia subtraindo terras férteis e reduzindo aqueles pretos da neve as frias terras articas acabando com a suficiência alimentar que lhes tem permitido aguentar o nosso cerco.
    Depois seria finalmente cumprido o sonho de Napoleão e Hitler. A pilhagem da Rússia, fartar vilanagem.
    Agora Herr Zelensky perde território todos os dias mas assegura que não cedera.
    E nós vamos continuar a sustentar o traste porque a pategada não acorda.
    Raios partam a Ucrânia.

  3. No link abaixo, conferência de imprensa conjunta de Volodymyr Zelensky, Angela Merkel, Emmannuel Macron e Vladimir Putin, em Dezembro de 2019, pouco depois de Zelensky se fazer eleger com a promessa de fazer a paz com os separatistas. Na dita conferência de imprensa fala-se da implementação dos Acordos de Minsk, assinados em 2014 e 2015 entre o Governo ucraniano e os separatistas, com o patrocínio da França, da Alemanha e da Rússia. Esses Acordos, como bem sabem e fingem não saber as Von der Lies, Kaja Kallas, Manu Morcon, Tony Bosta e resto dos vigaristas, com a prestimosa colaboração de inúmeros avençados merdiáticos sem espinha nem vergonha, mantinham as repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk (o Donbass) sob soberania ucraniana, mas com alguma autonomia. Foi o que fizemos com Açores e Madeira e ninguém morreu por isso. Mas agora repare-se na linguagem corporal do palhaço corrupto de Kiev durante o discurso de Putin, sorrindo trocistamente, alternando o ar de gozo com o de enfado e brincando zombeteiramente com a caneta.

    Transmitia assim, ostensivamente, a mensagem de que, para ele, aquilo não valia nada, os Acordos de Minsk não valiam a tinta com que foram escritos e o que Putin dizia era mesmo só para rir. O problema era que, nessa altura, Putin (e sabe-se agora que apenas Putin) era o único, daqueles quatro, que tudo fazia ainda para que o Donbass se pudesse manter na Ucrânia, de acordo com a letra dos Acordos de Minsk. O palhaço de Kiev gozava ostensivamente, que nem um capado, em frente de toda a gente e tanto a Merkel como o francês que com ela patrocinou os Acordos (François Hollande, antes do Macron) confessaram mais tarde publicamente, sem qualquer ambiguidade, que os Acordos de Minsk serviram apenas para ganhar tempo e permitir à Ucrânia rearmar-se, para violar os Acordos e retomar a soberania total do Donbass não através do seu cumprimento mas sim pela força, com uma operação militar que tinha por objectivo a limpeza étnica dos ucranianos russófonos e russófilos do Donbass, expulsando-os para a Rússia. O palhaço de Kiev chegou a dizer, mais tarde, o seguinte: “Se há ucranianos que gostam assim tanto da Rússia, o que têm a fazer é ir viver para lá.” Traduzindo: “Deixem as vossas casas, as vossas propriedades, as terras onde nasceram e toda a vida viveram e vão morrer longe, que nós não teremos qualquer problema em redistribuir as vossas coisas entre os nossos amigos.” Estamos a falar de seis a sete milhões de pessoas, ao pé disto o projecto nazionista de limpeza étnica de Gaza é uma brincadeira de crianças. Mas é claro que quem quiser pode continuar a alimentar a sua “informação” com o Merdazes, o Nogeiro, a Solérias, a orca oxigenada e outras luminárias avençadas que por aí esvoaçam baixinho, como o crocodilo da anedota e as vacas felizes do Cavacoiso!

    https://youtu.be/EICKs-DB5go?si=Qj-vpu8AszEEk_bF

  4. Resta saber até que ponto isso existe mesmo tudo na China nesses termos que nos dizem ou se será tão verdade como as vezes em que a baleia asiática da Coreia do Norte já foi morta.
    De resto já trabalhei num sítio onde em vez de cartão tínhamos de enfiar um dedo numa máquina pois que não se fiavam em que simplesmente picassemos o ponto com um cartão.
    E viam se a rasca os que tinham trabalhinhos mais de corno pois que tinham as barbatanas tão calejadas que era quase impossível esse reconhecimento digital.
    Mas estão coisas muito “giras” na calha como o Euro digital ou o fim do dinheiro físico que se prevê lá para 2030 ou haver um cartãozinho para despejar o lixo pagando nos com língua de palmo conforme as vezes que vamos ao contentor.
    Quando se trata de nos lixar a vida esta gente não precisa de pedir ideias a ninguém. Para isso teem uma imaginação muito fértil. Para mal dos nossos pecados, para usar uma expressão “dos antigos”.

  5. Já há muito tempo que se um bandalho destes torce um pé a culpa e do Putin.
    Ja antes do acelerar da guerra na Ucrânia em 2022 a diabolizacao do homem era mais que muita.
    Li e ouvi de tudo um pouco muito antes disso.
    Porque isto estava a ser cozinhado há muito tempo, saudades e muitas se estavam a ter de fantoches como Gorbatchev e Ieltsin, o primeiro um patego provinciano fascinado pelo Ocidente, o segundo um bêbado degenerado sem qualquer prestimo.
    Ate na morte desse último traste se tentou ver algo de estranho com um comentadeiro a dizer que o homem “estava bem”.
    Ora o sujeito bebia vodka como uma barragem bebe água, tinha o coração podre tendo protagonizado uma operação que juntou a nata da medicina ocidental pois que era preciso a todo o custo salvar o fantoche, ter vivido até quase aos 80 anos e que foi de estranhar.
    Mas Putin foi desde sempre comparado aos Borgias ou pior.
    E tudo isso também tinha a finalidade de fazer com que nenhum patego se importasse nem achasse que éramos uns trastes quando Putin se juntasse a outros líderes fisicamente eliminados pelo Ocidente neste último século como Saddam Hussein ou Kadhafi. Que não seriam santos mas não eram certamente os demônios em forma humana que se pintaram e justificaram os seus homicídios.
    Não ficaram esses países melhor, nem os povos ocidentais tiveram melhor vida pois a pilhagem desses países enriqueceu os nossos oligarcas e nada mais e o mesmo aconteceria com a Rússia.
    Por isso ainda bem que a Rússia acordou tarde mas acordou e em termos de armamento também não esteve propriamente a dormir nos oito anos que esta gente esteve a armar o nazismo ucraniano.
    E por isso estamos metidos numa grande patranha e num grande sarilho.
    Mas a verdade e que viver num mundo dominado só por esta gente seria um sarilho muito maior.
    Palavra de um cetaceo musculado que já se viu quente.

    • Nós vivemos já “num mundo dominado por essa gente”, chama-se “Ocidente colectivo”, mais especificamente “Europa Ocidental”…
      …e não haja ilusões, quanto mais pategos levam a sua avante, mais enfiados nas areias movediças deste imenso “pântano fétido e pútrido” estamos…
      …o resto é conversa para Homem do Pântano dormir…

  6. E aos idiotas e pategos empenhados em “manobras de distracção”, não se esqueçam que daqui a pouco mais de 15 dias é Ano Novo, estamos em 2026…

    …preparem-se para as “novidades”.. preparem-se para serem esbulhados “novamente”, e para os “anais”…

    … e não se esqueçam de agradecer ao Marcelo II e restante quadrilha de direitolas, quando fizerem a “mensagem de Natal”, a ida à Missa do Golo e os “votos de Ano Novo”…

    “FELIZES ANUIDADES”

    É com cada patego, que até parecem meia centena ou mil e um…

  7. Quanto aos “activos russos” propriamente ditos, e sua retenção, por assim dizer, o problema acaba por ser os “passivos europeus” (leia-se da UE, ou da Europa ocidental)… é buracos negros atrás de buracos negros, e os americanos fazem gato-sapato deles… com a colaboração das “altas instâncias” e dos e das “grandes líderes” europeus…

    • Os pategos com as bandeirinhas azuis e amarelas, e quejandos, propagandistas, idiotas úteis, vão ficar de peito inchado e contentíssimos – até que enfim se tomam medidas, até que enfim se congelam os activos russos, pensarão e dirão entre si! As Sollérias, os Baú-guardas, os moços empertigados, os Sorronhas, os Mil-Ases, até o Rogeiro-a-Jacto, que é mais dado a explosões e a rebentamentos!

      Mas quando daqui a uns meses, ou anos, a factura for servida, e eles também tiverem que arcar, se calhar com as prebendas actuais já esbanjadas e gastas, lá pensarão e dirão os pategos – a culpa é dos russos e dos putinistas inveterados!

      É com cada patego, que até parecem uma dúzia ou duas…

  8. Esses já não precisam de trazer que já cá os temos.
    Do calar dos detractores das vacinas COVID ao colar de todas as dúvidas a extrema direita que acabou por resolver muita gente a esquerda a meter aquilo no bucho e alguns já cá não estão, a censura de canais russos e ao facto de haver gente corrida de empregos, espancada pela polícia, processada ou presa por protestar contra o genocídio do povo de Gaza acho que não precisamos de pedir lições a ninguém.
    Se calhar até as podemos dar.

    • Referia-me aos sistemas de “reconhecimento facial”, “pontuação” e “crédito” sociais, vigilância e controlo por drones… esses por cá ainda não estão implementados como os auto-proclamados “moderados” gostariam…

      Se bem que eles já vão utilizando a “inteligência natural” dos vigilantes e espiões, mas o que eles gostavam mesmo era que fosse a “inteligência artificial” a trabalhar para eles, poupava-lhes imenso trabalho, tempo e recursos, humanos e financeiros, em tempo de cortes e supervisão por super-juizes para atribuir 5,2 mil milhões de euros sem concurso a fabricantes de armamento e tecnologia militar e de opressão…

      https://www.rtp.pt/noticias/pais/defesa-investiu-cinco-mil-milhoes-sem-concurso-publico_v1703855

  9. Se foram cheirar o traseiro aos mesmos de quem dizem cobras e lagartos e porque além de fascistas não teem vergonha nenhuma no focinho. Ou então aceitaram o convite para ver se vêem por lá alguma coisinha que lhes permita continuar a dizer mal.
    De qualquer modo, se e para gastarem o nosso dinheiro antes irem a China onde pode ser que ainda aprendam alguma coisa de util que a Ucrânia nazi, onde parece que já toda a gente foi excepto os mais odiados por escravos que se dizem alforriados como tu.
    A quantidade de vezes que já nos foram a carteira para apoiar essa cambada de nazis isso sim preocupa me a sério.
    Porque ainda por cima prometem continuar a faze lo tirando nos tudo o que for preciso.
    Quanto ao tema do artigo, o confisco dos activos russos e certamente para o lado que os russos dormem melhor pois que se teem vivido até agora muito bem seja isso continuarão simplesmente a faze lo.
    Mas isso e óptimo para fazer com que mais ninguém confie nesta corja.
    Quanto a ti vai ver se o mar da Kraken.
    E já agora vai chamar nomes ao diabo que te carregue.

    • Os “auto-proclamados” moderados? Os passistas que venderam a REN aos chineses, em nome da sacrossanta “privatização”?
      São pouco fascizóides, são… na volta ainda vão trazer de lá os sistemas de vigilância, censura e controlo que tanto cobiçam para aplicar aos europeus…

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